É a metrópole que nunca se viu, em permanente reconstrução. Exposta em um festival que convida os visitantes a criar novos mundos e a questionar os limites entre arte e tecnologia.
O mundo é um cubo cercado de oceanos por todos os lados. O verde faz o mundo girar e traz a Terra para mais perto. Os automóveis e as casas se atropelam num turbilhão. As cidades estão sendo destruídas e reconstruídas num eterno ato de criação do mundo.
As orquídeas não têm flores, mas têm musica. Cada folha é uma nota musical. Uma frase musical se forma apenas com a passagem de uma pessoa. Alguns se abaixam e pulam quadradinhos para que eles não os toquem. Atrás de uma bola de luz, voam as borboletas.
A voz são bolhas que se misturam à floresta. Quando falamos, o som se vai.
“Tem gente que já bateu palmas, já gritou, cantou e tudo isso está gravado. Eles vêm devagarinho e se comunicam com a pessoa”, comenta o monitor do festival João Adorno.
O cinema tem oito milhões de pixels, a melhor resolução já vista. A imagem perfeita revela que o vulcão além dos rios vermelhos de lavas também guarda suas nuvens.
Neste mundo de estranhamento, o nosso corpo é o centro magnético. Atraímos caminhão, casa, geladeira e milhares de coisinhas miúdas que não desgrudam de nós. Temos que carregar pelo mundo, além de nossa vida, os nossos objetos. Não podemos escapar.
Um robô tem olhos circulares. Onde ele estiver, 360 graus estarão vigiados. Os grafiteiros não rabiscam os muros. Escrevem no ar e deixam os seus recados a dez metros de distância numa tela de luz. É noite na Avenida Paulista, mas logo será dia outra vez no Brasil.
Trezentos artistas de 30 nacionalidades participam da exposição. A discussão sobre o "suporte" da arte, ou seja, sobre a maneira como ela é apresentada, já tem algumas décadas. Mas, não há dúvida que o desenvolvimento da tecnologia, levou essa discussão para outro nível.